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"Não há crise na Segurança, mas uma banalização da violência"

- 25 de Janeiro por Querência News com Mídia News

“Nem de longe há uma crise no setor da Segurança. O que há é uma crise no âmbito da sociedade em razão da violência. A sociedade de hoje é uma sociedade mais violenta”.

 

A declaração é do secretário de Estado de Segurança Pública, Fábio Galindo, que negou a existência de uma crise no setor da segurança, que nos últimos dias viu o número de assassinatos e roubo a agências bancárias aumentar em Cuiabá e Várzea Grande.

 

Para o secretário, o que há é uma “banalização” da violência. Mas que, no caso, a culpa não é somente da Segurança Pública.

 

“Antigamente se praticavam roubos para se adquirir grandes quantias em dinheiro, roubos bem pensados. Mas, hoje, uma fatia da sociedade resolve cometer crimes mais banais. Por exemplo, 53% de todos os roubos na Grande Cuiabá têm como alvo os telefones celulares”, afirmou.

 

Nem de longe há uma crise no setor da Segurança. O que há é uma crise no âmbito da sociedade em razão da violência

“Então, o cidadão decide colocar uma arma na cabeça de um trabalhador para lhe tomar um celular, que custa, muitas vezes, R$ 400, R$ 500 ou R$ 1.000. Ou seja, houve uma banalização da violência. E essa banalização é responsabilidade de todos nós”, disse.

 

Segundo Galindo, a atual situação é de responsabilidade também do Ministério Público, do Judiciário e do Governo, com políticas públicas que apresentem alternativas para o cidadão não “escolher” o crime.

 

No entanto, ele disse que a pasta, a qual assumiu em definitivo em janeiro, após o pedido de exoneração de Mauro Zaque, tem feito o seu dever.

 

“O que temos que ter é um sistema de segurança mais forte. Um sistema de segurança com maior capilaridade, maior presença. Temos que ter, então, mais policiais, e com condição de atender as ocorrências”, afirmou.

 

“Ou seja, precisamos aumentar o efetivo, como estamos fazendo. São 3,5 mil homens, em uma tropa de 10 mil, o que significa quase 35% a mais. O maior incremento de efetivo na história. Exatamente para que a gente ocupe o terreno com maior capilaridade. Então, não há uma crise no sistema de segurança. Muito pelo contrário. O sistema de segurança vem recebendo orçamento, vem recebendo finanças, vem recebendo apoio político”, disse.

 

Violência

Segundo levantamento feito pelo MidiaNews, somente nas duas primeiras semanas de janeiro, ao menos 16 pessoas foram mortas em Cuiabá e Várzea Grande.

 

A maioria dos assassinatos foi motivada por tráfico de drogas ou por algum tipo de rixa. Há também, entre as mortes, latrocínio (roubo seguido de morte).

 

Entre elas, está uma grávida de sete meses, encontrada morta dentro da sua residência, no Bairro Vila Operária, em Várzea Grande, na noite de sexta-feira (15). Ela foi assassinada a golpes de faca.

 

Apesar dos primeiros números de 2016, a violência teve significativa melhora em 2015 em relação a 2014.

 

Conforme Galindo já havia revelado ao MidiaNews, Várzea Grande, onde mais concentra homicídios a cada 100 mil habitantes, teve uma redução de 27,5% este ano.

 

Já em Cuiabá, o bairro Pedra 90 ganhou atenção da pasta e passou 70 dias sem nenhum assassinato.

 

“O Estado foi dividido em 15 regiões, de modo a permitir uma visão melhor. Das 15, 12 reduziram o número de homicídio. Hoje, 35% dos municípios não têm homicídio, outros 17% só tiveram um, e outros 15% tiveram dois. Isso significa que 64% conviveram com dois ou menos homicídios. O problema está em 36%, que são problemas crônicos”, afirmou. 

 

De acordo com o secretário, os resultados fazem parte da nova política da pasta.

 

“Aqui não se toma mais decisões políticas. As decisões são técnicas e baseadas em relatórios de inteligência. Os relatórios de inteligência criminal estratégica são para saber onde a criminalidade está com pico, quais são os bairros com maior concentração de crimes, de modo que possamos definir estratégias”, disse.

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