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Contra 'radicalização islâmica', país força 13 mil homens a raspar barba

- 22 de Janeiro por Querência News com G1

BBC

22/01/2016 10h42 - Atualizado em 22/01/2016 10h42

Contra 'radicalização islâmica', país força 13 mil homens a raspar barba

Governo do Tadjiquistão, em que 99% são muçulmanos, vê barba como comportamento 'estrangeiro imposto'.

Campanha oficial no Tajiquistão mira barbas para evitar radicalismo (Foto: BBC)

"Eles me chamaram de salafista (integrante de movimento sunita fundamentalista), um radical, inimigo público. Ele não tiveram vergonha de usar linguagem abusiva. E aí dois deles seguraram meus braços enquanto outro raspou minha barba."

Djovid Akramov conta como foi parado pela polícia de Tajikna na porta de sua casa, com o filho de sete anos de idade ao lado, e levado para a delegacia da capital, Dushanbé.

Akramov se tornou mais um entre centenas de milhares de homens no Tadjiquistão detidos nos últimos dois anos por serem barbados.

Após serem levados a delegacias, eles foram fichados (com impressão digital e tudo) e obrigados a raspar os pelos da face.

Raspar barbas é parte de uma campanha do governo contra tendências ou comportamento que vê como "estrangeiro e inconsistente em relação à cultura tadjique".

O alvo é a radicalização em um país de grande maioria islâmica - em meio a temores de que a Ásia Central possa seguir o caminho de países como Afeganistão, Iraque ou Síria, imersos em extremismo.

Estima-se que, somente no último verão, entre 1.500 e 4 mil centro-asiáticos se voluntariaram para lutar por diferentes grupos radicais islâmicos na Síria e no Iraque.

Ao relatar o progresso da campanha "anti-radicalização", autoridades anunciaram que a polícia raspou as barbas de 13 mil homens na região de Kathlon no ano passado.

Homens reportam humilhação ao terem suas barbas raspadas  (Foto: BBC)Homens reportam humilhação ao terem suas barbas raspadas (Foto: BBC)

A campanha também mira mulheres vestindo roupas femininas tradicionais do Islã, especialmente o véu, em escolas e universidades. Mas, na prática, a proibição vale em todas as instituições estatais.

"Não venere valores estrangeiros, não siga culturas de fora. Use roupas de cores e cortes tradicionais, não o preto. Mesmo de luto, as mulheres tadjique devem vestir branco, não preto", disse o presidente do país, Emomali Rahmon.

 

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